Biografia del Arquitecto Bonet
1913- Nasceu no dia 13 de agosto em Barcelona
1932- Durante o período que estava
estudando na faculdade de arquitetura, conhece José Sert
e Joseph Torres Clavé através
de seu amigo Guillermo Diaz Plaja. Começa a trabalhar neste
reconhecido estúdio e adquire sua primeira formação
racionalista. José Luis Sert, mais velho que ele, já
estava comprometido com o movimento modernista e integrava ativamente
o grupo GATPAC (Grupo Catalão que estava identificado com
as correntes de vanguarda arquitetônica, atuando de 1930 a
1936). Desde estudante participou ativamente deste grupo, vivendo
de perto as mudanças da arquitetura da época. Em Barcelona
o ambiente era propício para iniciar esta aventura cultural,
sentindo-se atraído pelas idéias realistas do resto
da Europa. Durante o período que permaneceu no estúdio
de Sert, Bonet trabalhou nos projetos da joalheria Roca, das casas
em Garraf, El Parbulário e no stand MIDVA obtendo o primeiro
prêmio no salão de Decoradores de Barcelona.
1933 - Participa junto com Sert e Rivas
Seba do famoso IV Congresso Internacional de Arquitetura Moderna
(CIAM), a bordo do “Patris II”, cruzeiro pelo Mediterrâneo
cujo roteiro foi Marsella-Atenas-Marsella, no qual se redatou a
“Carta de Atenas”, documento fundamental à cultura
arquitetônica do séc. XX. Nela se definiam as funções
de habitar, circular, trabalhar e descansar como os pontos fundamentais
do desenvolvimento urbano. Esta carta foi considerada por muito
tempo uma espécie de Bíblia do urbanismo moderno.
Neste período, Le Corbusie e Bonet conhecem a Aalto, Fernand
Léger entre outras personalidades. O próprio Bonet
relata assim o encontro: “eu tinha vinte anos quando conheci
a Le Corbusier e foi então que lhe pedi, com a ousadia da
idade, se ao terminar minha carreira podia trabalhar no seu estúdio.
Então em junho de 36 comecei a trabalhar com quem foi um
dos pioneiros do movimento modernista”.
1936 -Trabalhando num Departamento do
Governo, termina seus estudos e sem esperar a formatura, dirige-se
a Paris e começa
a trabalhar nos estúdios de Le Corbusier. Assim descreve
a vida dentro do atelier da rua Sévres: “ Le Corbusier
é um personagem muito especial, tinha seu estudio pouco organizado,
se comparado com outro do mesmo escalão, ele trabalhava somente
à tarde, porque pelas manhãs invariavelmente dedicava-se
à pintura em sua casa. Pierre Jeannerei, seu sócio
e primo, era quem tomava conta do estúdio, enquanto sua amiga
Charlotte Perriand ocupava-se do desenho de móveis. “Eu,
obviamente, não recebia um centavo”. Realiza dois projetos
junto com o pintor surrealista chileno Roberto Matta Echaurren.
No estúdio de Le Corbusier projeta cada casa que o mestre
lhe solicita que realize livremente, a Mason Jaoul. Também
participa do planejamento geral que fazia Le Corbusier à
Exposição Internacional de Lieja, assim como de desenhar
o edifício principal que seria o Pavilhão da Água.
Sobre esse momento Bonet nos diz: “Quando fiz estas duas obras
incorporei as idéias surrealistas à arquitetura funcional
que estavam na moda, foi uma liberação do tradicional
que pedia o racionalismo...” Estes são os aspectos
que caracterizarão sua obra.
1937 - Na mesma Exposição
Internacional que Le Corbusier apresenta seu sutil “Pabellón
Des Temps Nouveax”; Bonet colabora outra vez com Sert, na
realização do Pavilhão Espanhol. Este tinha
sido solicitado pelo governo a Sert e a Lacasa, em plena Guerra
Civil, o que lhe dava um caráter simbólico importante.
A obra foi um enorme stand com características racionalistas.
Esta deveria atuar como elo entre as diferentes obras de artistas
espanhóis para integrá-las à arquitetura. Participaram
Miró, Calder, Alberto e Picasso para quando realizou o célebre
“Guernica”. Este representou o símbolo da unidade
que se estava buscando para este momento histórico. Enquanto
Bonet estava em Paris, no estúdio de Le Corbusier, encontravam-se
também dois jovens arquitetos argentinos, Juan Kurchan y
Jorge Ferrari Hardoy. Os três tinham o mesmo objetivo: estar
em contato com o mestre para buscar respostas e pontos de partida
para suas carreiras. Bonet comentou os anos que participou no Gatpac:
“Este movimento durou pouquíssimo, praticamente de
30 a 36, durante a República, e no final da guerra civil
o movimento modernista desaparece totalmente. O Gatpac era um grupo
de esquerda e se considerava que a arquitetura moderna fazia parte
de algo internacional e pouco espanhol. Quando terminou a guerra
na Espanha, não se fez nenhuma obra, que se poderia chamar
de progressista, e isso durou, acho eu, até 55; toda a evolução
no mundo da arquitetura, este país não a viveu...”.
Finalizada a guerra civil, Espanha ficou arrasada economicamente
e não era o país mais indicado para iniciar uma carreira
profissional. Devido a todos esses acontecimentosBonet aceitou o
convite de seus colegas para vir à Argentina.
1938 - No mês de abril chega em
Buenos Aires e junto com seus colegas Kurchan e Hardoy fundam o
Grupo Austral. O grupo realizou uma intensa publicidade a favor
da arquitetura moderna. E sem dúvida influenciou notavelmente
o país vizinho que terminou aceitando as novas tendências.
Durante este ano Bonet fez o projeto de um edifício na esquina
da rua Paraguai e Sulpacha.
1939 - Associados a Juan Kurchan e Jorge
Ferrari Hardoy, criam juntos a famosa Cadeira Bekaefe “BKF”,
chamada assim devido as iniciais de seus sobrenomes; também
conhecida popularmente como a Cadeira África ou Africana.
A partir de 1950, essa cadeira integra a coleção permanente
do Museo de Arte Moderna de Nova Iorque e em 1958, no Institute
of Design de Illinois. O Institute of Techology a inclue na lista
dos 100 melhores desenhos industriais dos tempos modernos. modernos.
1944 - A meados da década de 40,
Bonet é contratado por um grupo de investidores argentinos
para projetar um plano de urbanização
para a zona conhecida como “Portezuelo”, no departamento
de Maldonado, Uruguai. Bonet soube aproveitar ao máximo essa
oportunidade, colocou em prática tudo aquilo que aprendeu
com seu mestre Le Corbusier. O desenho urbanístico de Portezuelo
é paradigmático; tem um plano apropriado que deveria
servir de modelo para a nossa privilegiada costa litorânea.
Respeitou ao máximo o bosque do senhor Antônio Lussich,
traçou estradas e passarelas para automóveis e para
pedrestes; desenhou as estradas em forma sinuosa para dar ao visitante
uma visão inesperada e evitar o tráfego rápido
dos carros; evitou construir uma avenida beira-mar para conservar
a costa; planejou lotes de dimensões generosas para manter
a privacidade dos futuros proprietários.
1945 - Instala-se numa casa no meio do
bosque criado por Antônio Lussich e começa a urbanização
da área, onde se juntam vários projetos: a construção
da Hosteria Solana del Mar, a residência “La Gallarda”
para o poeta Rafael Alberti, as casas de veraneio Berlingieri e
Cuatrecasa em 1947, Booth e a sua, La Rinconada em 1948. Também
trabalhou na ampliação de El Peñasco, uma esplêndida
obra de Julio Vilamajó sobre uma antiga construção,
tornando-se grandes amigos. Convida o jovem engenheiro Eladio Dieste
para trabalhar na solução da abóbada da Casa
Berlingieri, quem iniciava sua experiência com a “cerâmica
armada”. Construiu La Gallarda para o poeta Rafael Alberti.
Além disso, projetou várias construções
que ainda hoje podemos vê-las e apreciá-las. Mais de
uma década depois, concretamente em 1959, constrói
uma igreja na localidade de Soca (ex Mosquitos).
1948 - Regressa à Argentina, onde
lhe esperam vários projetos, desde urbanização
à construção de moradias.
1960 - Projeta e constrói a Igreja
de Soca (Uruguai), baseada na idéia de uma estrutura plegável.
Foi encomendada pela família Soca no seu próprio patrimônio.
Ela foi financiada pela escritora Susana Soca.
1962 - Projeta junto com Dominguin e Picasso
uma praça de touros, cuja fachada era constituída
de grandes murais cerâmicos desenhados pelo pintor malaguenho.
1963 - Volta definitivamente à Espanha
com sua esposa Ana Maria e sua filha Maria Victoria e passa a residir
em Madri. Abriu dois estúdios nas cidades de Barcelona e
Madri. Realizou inúmeros e excelentes projetos em ambas cidades
e em outros lugares da Espanha.
1963 - 1964 - Projeta e constrói
com Marta Ayillo o “Banco del Plata”, na rua Zabala
em Montevidéu.
1965 - 1987 - Projeta, desenha e constrói
inúmeros edifícios públicos e privados na Espanha
e na América.
1989 - Morre em Barcelona no dia 12 de
setembro.
A obra de Bonet pode ser considerada um modelo de arquitetura,
uma obra para ser estudada com detalhes, para observá-la
e analisá-la em muitas perpectivas. Bonet obviamente teve
muita influência de Le Corbusier, entretanto também
percebemos a influência de Alvar Alalto ou Mies Van der Rohe,
já que possuem um criatividade sem freio. Bonet demonstra
que, independentemente de ganhar muito dinheiro com a criação
arquitetônica como no caso da urbanização de
Punta Ballena, que poderia ter sido somente uma criação
rentável, se pode deixar o exemplo sobre a mesa e abrir caminhos
que podem ser imitados.
Nasceu e morreu em Barcelona, mas foi um homem de muitos mundos.
Formou-se em sua cidade natal, trabalhou em Paris com Le Corbusier,
discutiu arquitetura com Aalto y Richard Neutra e a pintura com
Fernand Léger e Picasso. Um dia chegou ao Plata, implantou
uma escola em Buenos Aires, atravessou o rio, chegou em Montevidéu
e realizou essa obra esplêndida que é a urbanização
de Punta Ballena.
Recopilao histrica feita por Ernesto Merzario. Toda reproduo deve ser consultada e confirmada segundo regulamentos vigentes. |